Como ocorre a Fertilização In Vitro

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A fertilização in vitro surgiu após pesquisas realizadas pelos doutores Patrick Steptoe e Robert Edwards, na Inglaterra. Em decorrência dos estudos, realizados desde 1966, nasceu, 12 anos depois, Louise Brown; o primeiro bebê de proveta do mundo. Confira o seu significado e acompanhe a fertilização in vitro passo a passo.

O que é Fertilização In Vitro?

A fertilização in vitro é uma técnica de reprodução assistida de alta complexidade. Neste tratamento a paciente necessita da administração diária de medicações hormonais injetáveis. Tais medicações são compostas por Hormônio Folículo Estimulante (FSH) e Hormônio Luteinizante (LH) e servem para estimular o crescimento de folículos ovarianos – saquinhos de líquido encontrados no ovário. Os folículos servem para nutrir e amadurecer os óvulos.

Fertilização passo a passo:

Em um ciclo natural, as mulheres geralmente evoluem durante o ciclo menstrual com o crescimento de um folículo dominante (folículo de Graaf). Este folículo após aumentar de volume ao longo dos dias, se rompe e libera um oócito para a cavidade pélvica. Os outros folículos que estavam disponíveis naquele mês, não crescem e atrofiam.

Estímulo ovariano

Na fertilização in vitro, objetiva-se estimular a maior quantidade possível e segura de folículos, fazendo com que todos cresçam sincronizadamente e, dessa forma, sejam obtidos mais óvulos no mesmo ciclo menstrual. Para isso, esse crescimento é acompanhado por ultrassonografia por cerca de 10 dias. Após esse período, boa parte desses folículos já estão com um diâmetro médio maior que 18mm, ou seja, possivelmente já contém um óvulo maduro e adequado para a fertilização.

Captação de óvulos

Nesse momento, é administrado uma outra medicação injetável na paciente, contendo o hormônio HCG (OvidrelR; ChoriomonR) ou o agonista de GnRH (Gonapeptyl DailyR), que finalizará o amadurecimento dos óvulos. Em seguida, cerca de 35 a 36 horas após o uso dessa medicação, é feita a captação de óvulos. Para tal, a paciente precisa realizar jejum. Esse procedimento, que dura aproximadamente 20 minutos e é indolor, é feito com a paciente sedada e em centro cirúrgico, por meio do uso de uma agulha acoplada ao transdutor de um ultrassom transvaginal.

Essa agulha, por sua vez, guiada pelo ultrassom, acessa, através do fundo da vagina, o ovário e, ao entrar nos folículos, aspira o líquido folicular trazendo esse líquido que contém os óvulos, para um tubo de ensaio. Posteriormente, o tubos com líquidos folicular são encaminhados para o laboratório anexo ao centro cirúrgico e lá o embriologista tem acesso aos óvulos.

Coleta seminal

A partir de então, é feita a seleção dos óvulos maduros (aqueles em metáfase II- fase de desenvolvimento celular adequada para a fertilização) e estes são inseminados com os espermatozoides, por meio de uma técnica conhecida como ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoides).

Já a coleta seminal para a fertilização in vitro é realizada logo após a captação de óvulos, por masturbação. Posteriormente, a amostra seminal é levada para laboratório, onde passa por algumas etapas de lavagem e centrifugação. Desse modo, após esse preparo, o sêmen é avaliado para seleção dos espermatozoides de melhor qualidade que inseminarão os óvulos.

A Fertilização in vitro e Desenvolvimento embrionário

ICSI - Injeção intracitoplasmática de espermatozoide na fertilização in Vitro passo a passo.
ICSI – Injeção intracitoplasmática de espermatozoide na fertilização in Vitro passo a passo.

Sendo assim, com óvulos e espermatoizoides, é realizada a ICSI – injeção intracitoplasmática de espermatozoides -, ou seja, a inserção de um espermatozoide dentro de cada óvulo maduro.

No dia seguinte à realização da ICSI,  já poderemos avaliar, em laboratório, quais óvulos que fertilizaram e viraram embriões. Em seguida, estes embriões continuarão seu desenvolvimento em laboratório por cerca de cinco dias, quando já estarão em uma fase de desenvolvimento, que chamamos de blastocistos.

É nessa fase que, em uma gestação natural, o embrião é levado pela tuba até o útero. Por isso, esse é o momento em que o embrião é retirado do laboratório para ser inserido na cavidade uterina da paciente.

É importante salientar, que ao longo dos cinco dias em que o embrião se desenvolve em laboratório, nem todos continuam seu desenvolvimento de forma adequada.

Transferência embrionária na Fertilização in vitro

Alguns embriões param o desenvolvimento e outros desenvolvem de forma anômala. Sendo assim, só serão selecionados para a transferência aqueles embriões que chegam ao quinto dia de vida com um desenvolvimento adequado. Já a transferência embrionária acontece de modo super simples e tranquila.

No dia da captação de óvulos a paciente inicia uso de progesterona via oral ou vaginal. Essa medicação prepara o endométrio para receber os embriões. No dia da transferência, quando temos embriões em fase de blastocisto, a paciente vai à clínica e não precisa de jejum, pois não será necessário o uso de anestesia. No entanto, ela precisa é estar com a bexiga quase cheia para melhor realização da ultrassonografia pélvica que guiará o procedimento e para isso, precisa beber alguns copos de água antes de sair de casa.

Nesse dia será feita a inserção por via vaginal de um cateter fino e flexível, que entrará pelo do colo uterino e acessará a cavidade. Nesse momento, os embriões são inseridos na cavidade uterina.

Quantidade de embriões para a transferência

Por lei, no Brasil, uma paciente até 35 anos pode transferir até dois embriões por procedimento. Até 39 anos, pode transferir até três embriões e acima de 40 anos, as pacientes podem transferir até quatro embriões. Essa mudança do número de embriões ocorre pela mudança da taxa de sucesso, que reduz com o avançar da idade.

Os embriões excedentes, que não serão transferidos nesse mesmo ciclo, são congelados. O congelamento ocorre por uma técnica chamada vitrificação e os embriões podem permanecer vitrificados por tempo indeterminado. Caso a paciente não engravide naquela primeira transferência, poderá descongelar mais embriões e tentar novamente. Se a gravidez ocorrer na primeira tentativa, a paciente pode retornar depois à clínica para uma nova transferência de embrião congelado, com o objetivo de ter mais um filho.

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