“Mamãe Leoa”: fertilização in vitro e a filha de Amanda Nunes, do UFC

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Conheça a fertilização in vitro, método de reprodução utilizado pela Campeã do UFC, Amanda Nunes, para ser mãe pela primeira vez.

O ano de 2019 começou com rumores de que a maior estrela do UFC feminino, a baiana Amanda Nunes, iria se aposentar. Mas tudo mudou por causa de uma garotinha. Em março de 2020, a “Leoa”, como Amanda é conhecida, anunciou que a companheira, e também lutadora, a americana Nina Asaroff, estava grávida da primeira filha do casal, Raegan Ann Nunes. “Eu quero que pelo menos minha filha me veja lutando”, disse a Leoa, ao canal Combate. Amanda, 31 anos, e Reagan, 34, optaram pelo método da fertilização in vitro para realizar a maior conquista da vida delas – serem mães.

Embalada pela felicidade da gravidez e pela expectativa da chegada da primeira filha, em julho de 2020, a “Mamãe Leoa” fez história. No UFC 250, em Las Vegas, Amanda venceu a canadense Felícia Spencer e se tornou a primeira lutadora da história do evento a defender dois cinturões tendo posse de ambos – nas categorias peso-galo e peso-pena.

Assim como Amanda, várias outras famosas brasileiras passaram pela fertilização in vitro para realizar o sonho de serem mães. São os casos da cantora Ivete Sangalo; das atrizes Karina Bacchi, Flávia Monteiro, Carolina Ferraz, Monique Evan, Mari Alexandre, Kika Kalache e Bianca Rinaldi; e das apresentadoras Fátima Bernardes, Ana Hickmann, Luciana Gimenez e Mariana Kupfer.  

Mas, o que é fertilização in vitro? Quais as chances de engravidar por esse método? Quais os cuidados necessários e para quem o tratamento é indicado? Como ele funciona? Por que a FIV é tão popular no mundo?

Fertilização In Vitro

A reprodução assistida é indicada para casais heterossexuais onde há problemas de infertilidade em um ou dois dos parceiros, casais homoafetivos formados por homens ou mulheres e as chamadas produções independentes, em que a mulher resolve engravidar sozinha.

A fertilização in vitro (FIV) é o método de reprodução assistida em que as células dos ovários são fecundadas pelo espermatozoide fora do corpo, no tubo de ensaio, ou seja, in vitro (vidro, em latim). Posteriormente, o embrião é colocado no útero da mulher. Outra opção é a inseminação artificial, que consiste na injeção de espermatozoides no útero da mulher para fecundar o óvulo e gerar o feto.

A probabilidade de sucesso é maior na fertilização in vitro, já que o embrião é colocado pronto no útero. De acordo com estudo, quando mulheres na faixa dos 35 a 40 anos (faixa etária que mais procura o tratamento) realizam a FIV, a chance da primeira tentativa dar certo é de 30 a 45%. Já na inseminação artificial, no mesmo grupo, a chance da primeira tentativa dar certo é de cerca de 15 a 20%.

Popularmente conhecido como “Bebê de Proveta”, a fertilização in vitro é o meio de reprodução assistida mais realizado no mundo. Para a escolha do melhor método, é essencial a consulta com um médico especialista em reprodução. Só esse acompanhamento é capaz de decidir a opção ideal em cada caso.

A fertilização in vitro é o meio de reprodução assistida mais popular no mundo.

Indicações

A fertilização in vitro é indicada geralmente nos seguintes casos: mulheres com 35 anos ou mais, alterações no espermograma (exame que avalia a capacidade reprodutiva do homem), obstrução da trompa, laqueadura, vasectomia, fatores genéticos causadores da infertilidade, casos de abortos de repetição, tratamento para evitar doenças hereditárias.

Antes da adoção da fertilização in vitro, é feito estudo da fertilidade do casal, através de exames e análise do histórico da família, incluindo exames hormonais, morfológicos e genéticos, do homem e da mulher.

A atriz Karina Bacchi aderiu à fertilização in vitro por causa de uma doença. “Descobri que tinha hidrossalpinge, que é, grosso modo, acúmulo de líquido nas trompas. Tive que retirá-las e isso impossibilitou que eu tivesse filhos de forma natural”, disse em entrevista ao Universa.

Karina deu à luz aos 41 anos. Aos 35, ela já tinha congelado os óvulos e reservado sêmen num banco americano. “Imaginei que seria mais difícil ser mãe naquela idade e decidi me prevenir”

A atriz Kika Kalache teve o filho aos 42 anos de idade: “não me arrependo”.

Idade

A idade é o fator isolado que mais impacta na capacidade de uma mulher engravidar. A diminuição da fertilidade feminina começa aos 30 anos. Essa redução se intensifica a partir dos 35, com outra considerável piora aos 40 anos. Isso acontece pela redução da quantidade e qualidade dos óvulos. É um processo orgânico natural que resulta na extinção dos óvulos e o começo da menopausa.

Sendo assim, o período mais indicado para a fertilização in vitro é até os 35 anos de idade. Isso não quer dizer que mulheres com idade superior estejam alijadas do processo. Com o avanço da medicina e a evolução dos tratamentos, é possível ter uma gravidez saudável até depois dos 40 anos.

Foi o caso, por exemplo, da atriz Kika Kalache, estrela de algumas novelas da TV Globo. Em 2012, quando teve o filho Joaquim, ela tinha 42 anos. “Depois de várias tentativas, deu certo. Não foi fácil, mas não me arrependo de nada. Ele nasceu supersaudável. Acho que tive na hora certa”, disse Kika, em entrevista ao portal Gshow.

Outra celebridade que também teve filho depois dos 40 anos foi a atriz Flávia Monteiro, aos 42 anos de idade. As atrizes Mari Alexandre e Monique Evans tiveram filho aos 35 anos.

A fertilização in vitro (vidro, em latim) é realizada em cinco passos.

Passo a passo

O primeiro dos cinco passos na fertilização in vitro é prescrever para a mãe medicações para a fertilidade. Elas controlam o amadurecimento do óvulo e aumentam a chance de coleta de múltiplos óvulos nos ciclos femininos, um processo chamado de estímulo ovariano. O desenvolvimento do óvulo é monitorado por ultrassom.

A imagem do ultrassom também é utilizada no segundo passo. É ela que guia o pequeno procedimento cirúrgico para obtenção dos óvulos, através de uma agulha coletora, introduzida pelo canal vaginal. A mulher recebe uma sedação e o procedimento dura entre 20 a 30 minutos.

O terceiro passo acontece no mesmo dia da obtenção do óvulo. No caso de casais heterossexuais, o parceiro deverá produzir uma amostra de sêmen para o laboratório. Ele deve estar sem ejacular de dois a cinco dias. Outra alternativa para obtenção de espermatozoides são os bancos de sêmen. Falaremos mais sobre eles aqui.

No quarto passo, chamado de inseminação, acontece em laboratório. Lá, o espermatozoide é inserido no óvulo para que ocorra a fertilização. Os óvulos são monitorados para que se confirme a fertilização e a formação do embrião já no dia seguinte ao procedimento. Posteriormente, é iniciada a divisão celular. Se isso ocorrer, os embriões vão se desenvolvendo por cerca de 5 dias, até a fase de desenvolvimento chamada blastocisto, fase na qual ele já está pronto para ser transferido para o útero.

No quinto passo, os embriões são colocados no útero da mulher . Duas semanas depois, ultrassom e testes sanguíneos serão analisados para confirmar a gravidez.

No Brasil, embriões excedentes devem ficar congelados por até três anos.

Embriões excedentes

Após todo o processo da fertilização in vitro, caso haja embriões excedentes, os casais devem decidir se vão congelá-los (criopreservação) para uso num possível futuro ciclo de fertilização in vitro.

A destinação desses embriões excedentes é um dos principais dilemas da reprodução assistida. Além da criopreservação, outro fim comum para os embriões excedentes é a doação para pesquisas científicas com células-tronco embrionárias, com o consentimento dos pais.

A resolução 1.957 do Conselho Federal de Medicina (CFM), de 2010, determinava a proibição da destruição dos embriões criopreservados. Eles deveriam ser mantidos congelados por tempo indeterminado.

Em 2013, porém, em nova resolução, o CFM definiu que os embriões poderiam ser descartados após cinco anos do congelamento, se os pais não optassem por um novo ciclo de fertilização. Em 2017, o prazo mudou mais uma vez, agora, para três anos.

Nina Asaroff exibe a barriguinha saliente nos primeiros meses de gravidez.

Bancos de sêmen

Em casais de mulheres, a fertilização in vitro pode ser feita de duas maneiras. Uma delas poderá ter o óvulo fecundado pelo espermatozoide doado e ela mesma engravidar ou o óvulo fecundado de uma pode ser colocado no útero da outra parceira que vai engravidar. É uma forma das duas se sentirem integradas ao processo. Amanda Nunes e Nina, que está grávida, não revelaram a forma escolhida.

Certo é que elas tiveram que recorrer a um banco de sêmen. É a opção também para casais héteros em que o homem não é fértil, casais masculinos em que ambos são inférteis e produções independentes. No Brasil, o material pode vir dos bancos nacionais ou do exterior.

No caso de doadores brasileiros, a mãe pode escolher entre sete características físicas ou emocionais do doador. Nos bancos de fora, as opções são cinco vezes maiores – é possível optar entre 35 características, como cor dos olhos, pele, cabelo, temperamento, entre outras.

Isso ajuda a entender o boom da importação de sêmen no Brasil, que cresceu 2.500% entre 2011 e 2017, segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Mulheres solteiras foram as que mais solicitaram amostras. Em segundo lugar, vêm os casais heterossexuais, seguidos dos casais homoafetivos femininos, como Amanda e Nina. Estes representaram 22% das importações em 2017.

Em alguns países, é possível ter acesso a fotos do doador quando criança. Foi o que fez a atriz Karina Bacchi.

“O doador com quem mais me identifiquei foi o que tinha mais traços similares aos da minha personalidade. Também tive acesso às fotos da infância dele. O que me chamou mais atenção nelas foi a alegria de criança; ele tinha um brilho, um sorriso alegre. Eu queria algo além dos traços físicos”, contou Karina ao blog Universa, do Uol.

Diálogo: Amanda Nunes e Nina Asaroff adiaram a gravidez por causa da carreira de Nina.

Identidade do “pai”

No Brasil, não é permitido que seja revelada a identidade do doador do sêmen para a mãe ou para a criança. No exterior, há a opção da revelação quando a pessoa atingir a maioridade, mas isso precisa ser definido previamente em contrato pela mãe.

A Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) recomenda que os pacientes tenham muito cuidado na escolha de bancos de sêmen e utilizem sempre um aconselhamento profissional para tomar a decisão. É preciso estar atento ao histórico pessoal e familiar dos doadores, comprovações de exames e das condições de transporte e armazenamento das amostras de espermatozoides.

Casais de homens

Pela legislação brasileira, na fertilização in vitro que vai gerar filhos para casais masculinos, a mulher que vai ceder o útero deve ter parentesco de até quarto grau com um dos pais. Pode ser mãe, irmã, avô, tia, prima ou sobrinha de um deles, respeitando o limite de 50 anos de idade.

Amigas podem até ser receptoras, mas é preciso uma aprovação especial do Conselho Regional de Medicina, garantido que não haja interesses excusos, como pagamento pela gestação, que é proibido por lei. O óvulo é obtido de uma doadora anônima.

O casal deve decidir qual dos dois ou se ambos serão doadores de espermatozoides para a fecundação.

A apresentadora Fátima Bernardes em foto antiga com os filhos trigêmeos.

Apoio psicológico

Independentemente do meio de reprodução assistida, é fundamental que o filho seja fruto de uma decisão unânime do casal. Um filho nunca deve ser encarado como tábua de salvação para uma relação desgastada.

O diálogo é essencial para o sucesso do procedimento e a falta dele faz com que 25% dos casais abandonem os tratamentos, segundo pesquisas.

Amanda Nunes e Nina Ansaroff, por exemplo, adiaram algumas vezes a gravidez para que ela não influenciasse a evolução profissional de Nina. Ela vinha colhendo bons resultados no octógono – uma sequência de vitórias contra Angela Hill, Randa Markos e Cláudia Gadelha. A série foi interrompida por uma derrota para Tatiana Suarez, no UFC 238. O revés afastou da mulher de Amanda a oportunidade de uma disputa pelo cinturão. Com isso, elas resolveram iniciar a gestação.

Especialistas são unânimes em afirmar que os problemas pessoais devem ser resolvidos antes da entrada no consultório. É indispensável ainda a compreensão dos parceiros, já que a mulher tem alterações de humor e sensibilidade, já que a medicação necessária para a fertilização in vitro afeta diretamente seus hormônios.

Para mulheres que optem pela produção independente, o apoio de um profissional de psicologia, bem como amparo de amigos e familiares, é indispensável.

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