Baixa Reserva Ovariana

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A atriz Viviane Araújo engravidou aos 46 anos graças a um óvulo doado e fecundado com espermatozoide do marido, em laboratório.

A atriz Viviane Araújo engravidou aos 46 anos graças a um óvulo doado e fecundado com espermatozoide do marido, em laboratório.

Para mulheres com infertilidade, tentando há algum tempo engravidar por vias naturais sem sucesso, ou já com baixa reserva ovariana diagnosticada, o recomendável é aderir a um tratamento de fertilização com um profissional capacitado, como a Dra Sofia Andrade, antes dos 35 anos, idade a partir da qual os óvulos aceleram o seu processo de deterioração.

Mas, e se a mulher passou dessa idade e não congelou os óvulos ou teve algum problema de saúde que reduziu consideravelmente a quantidade deles ou não os produz mais? Mesmo assim, ela pode ser mãe? Neste texto você vai saber como descobrir se tem baixa reserva de ovários, quais as causas e como evitar que isso atrapalhe o seu sonho de ser mãe.

Baixa reserva ovariana x Infertilidade

Um dos mitos que envolve a baixa reserva ovariana é o de que ela está diretamente ligada à infertilidade feminina. Mas não é bem assim, como explica a especialista em reprodução humana, Dra. Sofia Andrade. “Uma mulher jovem e sem problemas de saúde, mas com poucos óvulos, por exemplo, não é necessariamente infértil. O óvulos dela, ainda que em menor quantidade, podem ser saudáveis e absolutamente aptos a gerar filhos por vias naturais ou serem utilizados com sucesso em umas das técnicas de reprodução assistida”.

Acontece que, com o tempo, a qualidade dos óvulos vai se deteriorando, pelo processo natural de envelhecimento. É por isso que o fator idade avançada, associado à baixa reserva ovariana diminuiu as chances de gravidez. Portanto, mulheres com baixa reserva ovariana e que desejam ser mães têm que tomar certas precauções.

“Uma paciente com mais de 40 anos, por exemplo, já teve 70% a 80% dos óvulos alterados geneticamente, ou seja, possui um potencial reprodutivo reduzido, em virtude do envelhecimento. Por exemplo, imagine uma mulher com 42 anos que tenha 15 óvulos maduros, coletados em uma captação de óvulos. O prognóstico é de que apenas de dois a quatro desses óvulos gerem embriões. Desses, apenas 40% estariam normais cromossomicamente. Ou seja, somente um ou dois embriões aptos pra reprodução. Mas se essa mulher tiver somente três óvulos, fica muito mais difícil engravidar, uma vez que estes três óvulos podem estar inaptos pra reproduzir, já que até 80% dos óvulos podem ter sido alterados geneticamente com essa idade”, alerta a Dra Sofia Andrade.

Como descobrir que tenho baixa reserva ovariana?

A baixa reserva ovariana pode ser detectada através de exame de sangue. “Folículos antrais são os locais nos ovários onde os óvulos se desenvolvem no ciclo menstrual, ou seja, são bolsinhas de líquido que contém e nutrem os óvulos. Esses folículos produzem um hormônio chamado Anti-Mulleriano (AMH). O baixo nível dele no sangue é, consequentemente, um forte indicativo da quantidade de óvulos reduzida na mulher”, esclarece a Dra Sofia.

Outra possibilidade de diagnóstico da baixa reserva é pelo exame de ultrassom, onde é feita a contagem dos pequenos folículos do ovário. Importante frisar que que o uso do anticoncepcional pode reduzir em 20% o nível do AMH. “Quem estiver fazendo uso de anticoncepcional e constatar a baixa reserva, vale a pena suspender e refazer o exame pra confirmar o resultado”, explica Dra Sofia.

É considerada com baixa reserva ovariana a mulher que tem sete ou menos óvulos, ao contar no ultrassom, na soma dos ovários. O nível normal é acima de sete óvulos.

Quais as causas da baixa reserva ovariana?

São variados os motivos da baixa reserva de óvulos. Em mulheres mais jovens, por exemplo, o fator pode ser genético, como a rara síndrome do X frágil, por exemplo. Trata-se de uma mutação no cromossomo X. “Aparentemente, parece que está tudo bem com a paciente, mas a síndrome provoca precocemente a menopausa, quando a mulher não tem mais óvulos”, detalha a Dra Sofia Andrade. Também é preciso ficar atenta ao histórico familiar. “Se a mãe ou a avó tiveram menopausa cedo, pode ser que, com a paciente, aconteça o mesmo”.

Outras alterações cromossômicas podem também causar baixa reserva ovariana, bem como a endrometriose, como explica a Dra Sofia. “A endometriose, é uma doença inflamatória que pode acometer os ovários ao gerar cistos chamados endometriomas”. A quantidade de óvulos também pode baixar em virtude de cirurgias que mutilem o útero e reduzam o tecido do ovário, que é onde os óvulos se encontram.

O tratamento de doenças oncológicas (câncer), por quimioterapia ou radioterapia, é outro fator prejudicial à fertilidade feminina, por representar risco de danos irreversíveis ao ovário. Saiba mais sobre oncofertilidade clicando aqui. Há ainda causas infecciosas da baixa reserva ovariana, como o citomegalovírus, da família do vírus da herpes.

Antecipação é fundamental nos casos de baixa reserva ovariana. Congelar os óvulos antes dos 35 anos é fundamental.

Antecipação é fundamental nos casos de baixa reserva ovariana. Congelar os óvulos antes dos 35 anos é fundamental.

Como evitar que a baixa reserva ovariana atrapalhe o sonho de ser mãe?

Antecipação. Essa é a palavra chave para que a baixa reserva ovariana não atrapalhe o sonho de ser mãe. Mulheres que recebem o diagnóstico de pouca quantidade de óvulos ainda jovens, caso não tenham pretensão de ser mães antes, o ideal é congelá-los até os 35 anos. A mesma recomendação vale para pacientes que vão se submeter a cirurgias ovarianas ou tratamento de doenças oncológicas.

“Assim esses óvulos poderão ficar congelados por tempo indeterminado e em caso de falência ovariana precoce, a paciente poderá utilizar para tratamento de fertilização in vitro. A taxa de sucesso da gestação com os óvulos congelados é a mesma que da época do congelamento, independentemente do avançar do tempo”, explica Dra Sofia Andrade.

Dessa forma, os gametas podem ser fecundados em laboratório, através da técnica da fertilização in vitro, quando a paciente decidir ter um filho. “Em pessoas com baixa reserva de óvulos e idade avançada, é muito grande a probabilidade do óvulo não gerar um embrião, mesmo com a fertilização in vitro. Muitas vezes, em caso de idade já muito avançada, nem é recomendável a passar por todo o processo, porque há todo um desgaste financeiro e emocional que pode ser inútil e gerar somente frustrações”.

O envelhecimento é fator preponderante para a perda da qualidade reprodutiva dos óvulos.

O envelhecimento é fator preponderante para a perda da qualidade reprodutiva dos óvulos.

A gravidez de Viviane Araújo

Nesses casos, o mais recomendável pelos especialistas é optar pela doação de óvulos. O mesmo vale para pacientes que tiveram a produção de óvulos comprometida ou encerrada por outros fatores. Quando opta pela doação de óvulos, a mulher gesta a criança em seu útero, através de um óvulo doado por outra pessoa e fecundado em laboratório.

“A princípio, por vezes, há uma certa resistência porque o filho não vai ter a carga genética da mãe, apesar dela ficar grávida e dar à luz. Mas isso tem sido quebrado por estudos da epigenética, que têm comprovado que a criança herda certas características comportamentais e afinidades da dona do útero, nesse caso a mãe, ao longo da gravidez”, conta a Dra Sofia Andrade.

“A mãe que tem um papel muito importante durante o desenvolvimento do feto que é o de ativar os genes durante a formação do bebê no útero e nos primeiros anos após o nascimento”, completa. Você pode saber mais sobre epigenética clicando aqui.

Nos bancos de óvulos é feito o pareamento das características físicas e tipo sanguíneo entre mãe e doadora de óvulo. Foi o caso da atriz e modelo Viviane Araújo, que engravidou aos 46 anos, via fertilização in vitro. Viviane entrou em menopausa precoce, pelo uso de hormônios no passado e não tinha congelado óvulos. Por isso, ela optou pela doação deles, que foram fecundados em laboratório pelo espermatozoide do marido, Guilherme Militão, de 33 anos.

“Eu colocava o corpo em primeiro lugar, com medo de perder trabalho. Eu sempre tive isso”, justificou Viviane em entrevista ao jornal Estadão. “Da primeira vez, não deu certo (a fertilização in vitro), mas em menos de um mês depois avisaram que tinham achado uma doadora compatível e estou aqui, grávida”.

 

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